Embraer vai à Justiça contra Boeing; brasileira de olho em outros negócios

Ajuda ao setor aéreo

Embraer vai à Justiça contra Boeing, por conta do rompimento, pela empresa norte-americana, do contrato de compra de parte da empresa brasileira. Enquanto isso, o governo brasileiro vê oportunidade de negócio, para a Embraer, na China. Militares sugerem cautela.

Segundo matéria divulgada nesta segunda-feira, 27, pelo jornal Valor Econômico, a Embraer vai à Justiça por recompensa pelos danos sofridos. A Boeing anunciou no fim de semana a desistência do contrato, que vinha sendo acordado desde 2017.

“A empresa buscará todas as medidas cabíveis contra a Boeing pelos danos sofridos como resultado do cancelamento indevido e da violação do contrato. A realização dos termos do acordo exigiu investimentos significativos, em um complexo e demorado processo iniciado há mais de dois anos”, informou a Embraer, em nota ao Valor Econômico.

O negócio entre a Embraer e a empresa dos EUA veio na esteira de outra grande negociação internacional. A saber, o contrato entre a Airbus, de origem europeia, e a Bombardier, canadense.

Acontece que a Airbus é concorrente direta da Boeing, no contexto mundial, o mesmo acontecendo com a Bombardier, no que diz respeito à empresa brasileira. O negócio Boeing-Embraer enfrentaria, dessa maneira, o contrato Airbus-Bombardier.

Novas negociações

Ainda de acordo com o Valor Econômico, em reação desta segunda-feira, 27, pela manhã, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que pode vender a Embraer a outra empresa. Segundo o chefe do Executivo brasileiro, a decisão é sua, porque o governo federal detém a chamada ‘golden share’, uma ação de classe especial que lhe daria esse direito.

China

Sobre o assunto, há matéria desta segunda-feira, 27, no jornal Folha de São Paulo, que dá conta de interesse do Ministério da Economia em negociações com a China, envolvendo a Embraer.

De acordo com a matéria, “o governo chinês tem uma estatal que produz jatos para voos regionais, a Comac (Commercial Aircraft Corp of China), que tenta competir nesse mercado e já fez parcerias com gigantes mundiais”.

No entanto, novas negociações sobre a Embraer deverão ocorrer debaixo de muita cautela. Setores militares consideram a empresa, surgida para suprir necessidades da Força Aérea Brasileira, cumpre papel estratégico.