Custo Brasil soma R$ 1,5 tri ao ano, diz governo

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As empresas brasileiras gastam R$ 1,5 trilhão por ano a mais do que a média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), segundo estudo feito pelo Ministério da Economia e divulgado nesta quinta-feira. O valor aproximado corresponde ao chamado Custo Brasil, conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas do País, e representa 22% do Produto Interno Bruto (PIB).
Segundo o secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, essa estimativa reflete o custo que as empresas brasileiras têm acima da média dos países que integram a OCDE. “É um número que representa o peso da nossa burocracia, o peso de vários erros que foram cometidos no passado”, disse Costa.
O secretário ressaltou que, entre os elementos que compõem o Custo Brasil, o que mais pesa para as empresas é o emprego de capital humano. “O Brasil, que precisa contratar pessoas para reduzir o índice de desemprego, tem como principal componente do Custo empregar capital humano. Cometemos erros no passado de qualificação de mão de obra, de educação e de excessivos encargos trabalhistas”, explicou.
Segundo o secretário, depois disso, aparece o pagamento de tributos. “Nossa estrutura tributária é muito complexa. E o terceiro (elemento) é utilizar a nossa infraestrutura, que, nas últimas décadas, se deteriorou. Precisamos ter medidas concretas, que o governo federal está implementando, para que consigamos reverter essa situação.”
Já a alta do dólar não é motivo para preocupação. “Quando sobe e desce tem vantagens e desvantagens, um câmbio mais depreciado torna as empresas brasileiras mais competitivas, mais apreciado é bom para quem viaja, mais depreciado encarece a produção para quem vende para o mercado interno com insumos em dólar. Mas isso é um assunto do Banco Central, e temos como filosofia o câmbio flutuante”, disse.
Depois de divulgar a estimativa do Custo Brasil, o secretário lançou o Programa de Melhoria Contínua da Competitividade, que terá como base o Custo Brasil e que foi feito em parceria com entidades setoriais. A portaria do programa foi assinada hoje.
“Estamos, a partir de hoje, implementando aquele que pode ser um programa que pode transformar nossa economia. É uma forma de tratarmos cada um dos problemas com método, com cálculo do impacto de cada melhoria, de cada nova lei, cada nova norma, sobre nosso ambiente de negócios e de nossa competitividade e dificuldade”, destacou Costa. “Vamos trabalhar para que nosso Custo Brasil se reduza o mais rápido possível”, disse o secretário. Ele enfatizou que ainda não é possível calcular em quanto tempo o Brasil poderá reduzir seu custo, de modo que este entre na média dos países que compõem a OCDE.
O programa traz uma abordagem que busca reduzir o Custo Brasil por meio de nova metodologia de análise e governança, avaliando e priorizando propostas que tenham chances de melhorar o ambiente de negócios e a competitividade brasileira. O secretário informou que, para isso, será criado um canal centralizado de comunicação no site do Ministério da Economia, por meio do qual serão recebidas propostas de políticas públicas ou de soluções para a melhoria do ambiente de negócios, aberto a organizações representativas do setor privado. Um conselho deliberativo da secretaria é quem irá avaliar as propostas e tomar as decisões.
Publicado no Jornal do Comércio
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